Por Isabela Sartor

Psicóloga por formação. Perita em Hogwarts por diversão.

Publicado em 13/03/2019. | Atualizado em 12/03/2019


Para melhorar a produtividade, pode ser melhor tirar o foco do trabalho e se conhecer melhor primeiro. Entenda mais neste artigo!

Dicas para ser mais produtivo na vida freela existem aos montes, e podem ser realmente estimulantes e efetivas. Afinal, conseguir fazer aquele job de 3k em pouquíssimo tempo é o sonho, né?

Acontece que nem sempre aplicar uma solução pronta é a melhor escolha. Pense no seguinte: se você tivesse um desconforto em algum ponto do corpo, seria mais prudente tomar logo um analgésico, ou tentar descobrir o motivo desse incômodo, para, então, fazer uma intervenção mais direcionada?

Podemos fazer essa mesma relação com a nossa tentativa de render mais nas produções, pois se não conseguimos obter êxito, é possível que algo no nosso comportamento ou na nossa saúde mental esteja nos atrapalhando a conquistar nossos objetivos.

O ser humano é complexo. E, apesar de essa frase ser bem clichê, ela não deixa de ser verdadeira. É difícil conseguirmos entender algumas formas de agir e determinadas escolhas que fazemos. No entanto, conhecer um pouco mais sobre nós mesmos e compreender por que temos algumas atitudes é libertador e nos impulsiona a crescer.

A proposta, neste artigo, é, então, ressaltar a importância do autoconhecimento para melhorar a produtividade. Abordaremos 3 aspectos relevantes que dizem respeito aos nossos comportamentos e influenciam em nossa saúde mental.

Preparado? Então, tire os sapatos, sente-se confortavelmente aqui no divã e vamos bater um papo sobre você!

Analisando a procrastinação

“Deixa só eu dar uma olhada rapidinho aqui no Facebook, já já eu começo!”.

Substitua o “Facebook” por “WhatsApp”, “Netflix”, “Instagram” etc. Pareceu familiar?

Para a psicologia, o adiamento de tarefas está intimamente ligado ao autocontrole — guarde essa afirmação que você já vai entender o porquê.

Dentro ou fora do trabalho, estamos, o todo tempo, tendo de escolher algo em meio a duas ou mais variáveis. Seja para decidir o que vamos colocar no prato num self service, seja para definir a próxima ação que teremos, estamos a todo momento fazendo escolhas. Algumas vezes, esse é processo é mais consciente. Ou seja, percebemos a situação e paramos para analisar. Já em outras, tudo é tão automático que nem nos damos conta.

Só que, consciente ou inconscientemente, fazemos sempre um juízo de valor, comparando, entre todas, aquela que parece ser a melhor opção.

Acontece que, em muitas ocasiões, escolhemos aquilo que aparentemente é mais atrativo, mas que, no fundo, não é tão apropriado assim, como no caso de escolhermos entrar do Facebook antes de começar a trabalhar. Geralmente, nessas situações, estamos mais atentos à consequência positiva do agora, do momento, da mesma forma que agem pessoas impulsivas.

Há alguns anos, rolavam muitos comentários sobre um vídeo chamado “Teste do Marshmallow”. Ele ilustra muito bem esse princípio de controle e impulsividade. Se você não viu, é só dar o play!

Para Skinner, psicólogo comportamental, fazemos isso quando estamos sob controle dos reforçadores imediatos, no lugar daqueles de reforçadores atrasados (calma, que vou traduzir).

Um reforçador é aquilo que faz com que nossos comportamentos aumentem de frequência. Por exemplo, se recebemos um elogio de um cliente sobre um artigo que escrevemos, ficamos contentes e mais motivados a pegar outros jobs dele quando surgirem, certo? O elogio foi um reforçador.

O fato de ele ser imediato ou atrasado está relacionado ao tempo. O primeiro acontece quase na mesma hora em que nos comportamos (como quando entramos no Facebook e nos distraímos, rimos, interagimos). O segundo pode vir só alguns dias depois (como quando terminamos o job e só depois é que vamos receber o pagamento por ele).

Quando uma pessoa escolhe uma ação que tem reforçadores atrasados, ela precisa abrir mão de vários reforçadores imediatos. Isso é o autocontrole! Analisamos as consequências de todas nossas escolhas e optamos por aquilo que, no momento, não é o mais agradável, mas que, lá na frente, vai nos render frutos ainda melhores.

No vídeo, as crianças podiam escolher: ter um marshmallow agora e nenhum depois, ou não ter nenhum agora e ganhar dois depois. Talvez, para você, esse tipo de escolha seja fácil. Mas no mundo delas, que ainda estão aprendendo a importância de esperar por algo, as coisas não são tão simples.

Você não tem marshmallows. Você tem escolhas um pouco mais complexas. Mas a relação pode ser a mesma. Assim, na próxima vez em que você quiser procrastinar, tente comparar os reforçadores que você obteria em cada escolha. Analise o que você poderia perder e diga a si mesmo qual escolha é mais prudente. Decida: o que você vai deixar que controle o seu comportamento?

Analisando o início de burnout

Outro motivo que pode atrapalhar sua produtividade é o burnout. A síndrome leva a pessoa à exaustão física e emocional, deixando-a com uma dificuldade imensa de produzir qualquer tarefa que, em seu estado natural, seria tranquila.

Os sintomas são mais intensos que os de estresse, podendo incluir: falta de motivação, depressão, falta de energia, cobrança interna, ansiedade, insônia, falhas na memória, irritabilidade, sensação de inutilidade e isolamento social.


O burnout é comum em ambientes muito competitivos, nos quais a pessoa precisa bater metas de venda, por exemplo. Também ocorre muito onde se ganha pelo volume de produção, em vez da carga horária. Um comportamento comum nesses dois contextos é querer trabalhar e produzir de maneira exagerada, a fim de conseguir cumprir os objetivos.

Ter metas na vida é necessário. Mas, no burnout, não é raro encontrar alguém, por exemplo, dormindo menos horas do que o organismo precisa, com o intuito de ter um bom desempenho.

Um dos maiores problemas na síndrome é que, geralmente, a pessoa acha que pode aguentar aquele nível de exaustão “só mais pouquinho”. Mas nisso, existe um risco da alta carga emocional afetar a parte orgânica, fazendo com que o corpo já não funcione do mesmo jeito, prejudicando, inclusive, órgãos e glândulas na produção de hormônios.

Quando essa situação acontece, um simples descanso de final de semana ou umas férias, possivelmente, não resolverão a situação. Além disso, técnica nenhuma de melhorar a produtividade consegue dar jeito também.

O recomendado é tentar agir antes que um sintoma mais intenso apareça, porque daí não há mente que consiga gerar ou criar algo. Caso você esteja desconfiado de que talvez se encontre num nível avançado de burnout, é aconselhável fazer exames, como um checkup geral mesmo, para verificar níveis hormonais e de vitaminas no sangue, além de exames específicos, como um eletrocardiograma, conforme seus sintomas.

E, claro, trabalhar a parte emocional, fazendo uma psicoterapia, por exemplo, será primordial. Incluir atividades relaxantes na rotina, como ciclismo, yoga, meditação também será de grande ajuda.

Então, sua saúde em primeiro lugar. Não adianta tentar ser produtivo quando todas suas emoções e o seu corpo nadam contra a maré.

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Analisando a falta de concentração

Às vezes, não temos nada demais. Não chegamos a nos envolver naquelas atividades que procrastinam nossos jobs. Também não estamos, ainda, estressados o suficiente para desenvolver um burnout. Mas abrimos o editor de textos, começamos a digitar algumas palavras e, de repente, puff! Nossa cabeça nos leva ao mundo da lua!


A concentração depende de fatores como o nosso estado mental, o nosso estado físico e o nosso ambiente externo. Pelo estado mental, podemos ter, por exemplo, falta de motivação, problemas pessoais, insegurança e perfeccionismo.

A falta de motivação pode ter inúmeras causas, como o fato de aquele tema em específico ser, para nós, chato de ler e escrever. Ou, ainda, por sentirmos que nosso trabalho não está mais fazendo tanto sentido.

Problemas pessoais sempre vamos ter. E precisamos saber separar o momento certo para dar atenção a eles. Mas acontece que ,algumas vezes, eles são tão angustiantes, a ponto de nos fazer remoer pensamentos sobre algo que já aconteceu ou que pode vir a acontecer.

A insegurança e o perfeccionismo podem se refletir em pessoas com mania de perfeição. Quem age assim, está sempre querendo entregar algo brilhante, sem erro algum. É claro que precisamos sempre ter zelo pelas nossas produções, mas o perfeccionismo exagerado pode ser incapacitante. Como existe um receio de não conseguir fazer algo impecável, a dispersão pode ser fruto de uma autossabotagem, que impede a pessoa de correr o risco de entregar um trabalho que não esteja dentro do padrão pretendido.

Pelo estado físico, podemos citar exemplos de noites mal dormidas ou má alimentação. É importante que você saiba que nosso corpo precisa descansar para funcionar bem. Por isso, dormir bem é essencial para a mente conseguir produzir. Já a alimentação inadequada afeta até as funções cognitivas. A ingestão de muito carboidrato de alto índice glicêmico (como farinha de trigo) colabora para que haja picos mais rápido de insulina no sangue, o que faz com que tenhamos sono e moleza.

Pelo ambiente externo, não precisamos nos alongar muito, pois são mais perceptíveis e não são o foco deste artigo sobre autoconhecimento. Podemos citar os barulhos excessivos e a temperatura como exemplos. Mas você deve saber que é importante criar um espaço de trabalho adequado.

E, por falar em concentração, neste webinar de produtividade 4.0, conversamos sobre dicas reais, que podem aplicadas na rotina freela. Vale conferir!

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Usando o autoconhecimento para melhorar a produtividade

Ao adquirirmos mais autoconhecimento, entendemos melhor o que acontece dentro de nós e percebemos como o mundo interno e o externo nos influenciam. Isso nos dá mais repertório para que saibamos que ferramenta utilizar em cada situação.

A psicologia comportamental qualifica a comunidade verbal em que alguém vive como essencial para o desenvolvimento da autoconsciência. Essa característica é refinada a partir do autorrelato, de feedbacks recebidos e de perguntas feitas ao indivíduo que o ajudam a refletir sobre suas ações e sentimentos.

“Uma pessoa que se tornou consciente de si mesma, por meio de perguntas que lhe foram feitas, está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento” (Skinner).

Sendo assim, perceba as seguintes situações.

Na procrastinação

Sempre que você sentir dificuldade em produzir, você pode parar, refletir sobre a situação e fazer perguntas a si mesmo. Algumas delas, ao querer procrastinar, podem ser:

  • quais reforçadores imediatos e quais atrasados eu vou ter? Vale a pena ficar adiando mais ainda o reforçador atrasado?
  • Em que ambientes ou momentos eu costumo procrastinar? Eu tenho tendência a procrastinar com o job de um tema específico?
  • Será que ao tentar me organizar melhor, eu posso diminuir minha vontade de adiar tarefas?

Fazer perguntas como essas te dará chances de entender por que isso acontece, para que você mude o que deveria. O seu foco, nesse caso, será tentar ter mais autocontrole, mais compreensão das suas emoções e dos motivos de cada escolha sua. Além de ter mais autoconsciência, você vai poder atuar de forma a evitar que as condições que te façam cair em tentação estejam presentes.

No burnout

Caso você desconfie de um início de burnout, terá que tomar providências para que ele não piore. E se ele já estiver presente na sua vida, provavelmente você precisará do auxílio de profissionais da saúde.

Como nessa síndrome, geralmente, a pessoa tende a trabalhar mais do que dá conta, algumas perguntas que você pode se fazer para se entender melhor são:

  • será que estou assumindo mais responsabilidades do que consigo?
  • O quanto estou dando importância para o meu trabalho e deixando todas as outras questões valorosas da minha vida de lado?
  • Será que não vale a pena começar a cobrar mais pelo que eu produzo, para eu conseguir ter uma carga horária menor?
  • Como estou aproveitando minhas horas de relaxamento?

Na falta de concentração

A falta de concentração pode exigir um pouco mais de detalhamento no sentido de conhecer o motivo para tal, já que ela abrange fatores muito subjetivos, como motivação ou problemas pessoais. Nesse sentido, você pode se perguntar:

  • que tipos de pensamento eu fico remoendo com mais frequência?
  • Eu posso resolver ou amenizar meu problema agora?
  • A minha falta de motivação surge apenas com um assunto de artigo ou projeto específico?
  • Por que estou tentando ser tão perfeito sempre?
  • Seria tão trágico assim entregar algo sem perfeição? O que de pior poderia acontecer e como isso me impactaria?
  • Eu conheço alguém que seja completamente perfeito em tudo o que faz?

Enfim, as perguntas são infinitas e dependerão do contexto e da individualidade de cada um. Mas fazer esse tipo de exercício diário fará com que as soluções sejam mais fáceis de serem encontradas. Por exemplo, se você percebe que o que rouba seu foco é um problema pessoal, talvez seja mais efetivo, para sua produção, resolvê-lo logo. Ou, pelo menos, tentar desabafar escrevendo todos os pensamentos em um papel. Esse exercício catártico é simples e dá resultados.

Abordamos aqui algumas questões importantes de serem refletidas sobre você mesmo. Claro que podem existir, também, inúmeras outras situações que estejam te atrapalhando. Mas, agora que você já entendeu como ativar seu autoconhecimento para melhorar a produtividade, você pode fazer alguns exercícios sozinho.

Não se esqueça de que, ao adquirir mais consciência do que acontece no seu mundo interno, mais facilmente você saberá o que fazer para impedir a situação conflitante.

Compreendendo mais sobre si, você, agora, você pode aproveitar com mais eficiência essa planilha de ferramentas e aplicativos para produtores de conteúdo!

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